quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ideias sem acento

Ideias sem acento
por vento
sem tormento

Minhas ideias não tem mais acento
nem sono
E isso não vem de agora
vem de antes

Quando eu conseguia andar
com os pés descalços pelos
quintais

Minhas ideias não tem ar isento
eu caminho pelos quintais
Comendo a terra que me traz
do alento o calor da travessura

Quando eu posso andar
com os pés descalços pelas
ruas

É dela que não consigo falar
Trato de todos e tudo
encerro no sobretudo
Fica muito abstrato para mim.

Deus decidiu desaparecer neste dia. Ele deixou tudo para trás. Abandonou os céus e a terra. Fez sua mochila e sumiu. Desapareceu. Esqueceu de todas as suas tarefas, esqueceu as promessas feitas. Onde será que ele está?

Será que Deus mesmo existiu? - começou a se indagar. Podia até mesmo ter cometido suicídio. Deus cansara de sua vida? Talvez. Mas que restaria a Deus se não há nada além dele?

Guardava em seu coração essas dúvidas. Deus com certeza não havia abandonado somente ele.

Não sei dizer. Sinto apenas que o Deus em que sempre cri, desde que lembro na minha infância, parece não ter amanhecido hoje. Meus olhos acordaram mas meu sorriso continuou adormecido.

Este Deus que você fala, será mesmo o verdadeiro Deus?

Existe verdadeiro Deus? Pensei que houvesse Deus. Simplesmente Deus.

Você nasceu praticamente na igreja, não? Ouvia falar do Criador o tempo todo. Nas ruas e na tv você escutava seu nome sendo pronunciado a todo momento. Você tem uma ideia concebida sobre Deus. Esta ideia é o seu Deus?

Você crê num Deus cujo livro que ele diz ser a sua Palavra você nunca se esforçou para ler por completo. Você não para para ouvi-lo. Acomoda-se na salvação em Jesus Cristo. Acredita nele e pronto.

Você é um ateu cristão (ou um cristão ateu)!

Deus sumiu porque ele nunca existiu. Você não crê, pois não o conhece.

Ele aquietou-se. Fiquei pensando. Vejo-me reflexivo até o presente momento, enquanto o observo ainda com suas esparsas... diz ele ser feliz assim.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

"Se em nossa pessoa e em nosso procedimento continuarmos a focar exclusivamente a dualidade pecador/santo, ao mesmo tempo que desconsiderarmos a oposição feroz entre fariseu e filho, o crescimento espiritual chegará a um ponto de estagnação brusca."

Brennan Manning

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Descobri Copeland ao ler o anúncio do fim da banda dos quatro jovens cristãos norte-americanos (li no Solomon). Me lembrou o som do casal de britânicos do Frou Frou - como toda a trilha do filme Garden State (A hora de voltar) - as baladas joviais do The Hush Sound e, é claro, o som do Radiohead também.

"A literatura de protesto, do século XX, é um profundo e penetrante fruto de integridade humana. Mas, ao mesmo tempo, é um monumento ao fracasso da igreja em relação ao pensar. Pois, certamente, se a igreja pensasse, ela estaria com esses homens, sustentando-os. Em vez disso, ela rompeu com eles e deixou de falar com eles."

"À medida que [o cristão] lê as coisas que valem ser lidas, quer ficção quer polêmicas, ele está continuamente se encontrando com relatos da situação humana ou com análises críticas da sorte atual do homem, que o fazem endireitar-se na cadeira e dizer:

Isso é profundo e penetrante. Isso representa uma resposta que cala fundo nessa vida atual, hodierna, mas totalmente humana. É tão crucial, fundamental e iluminador que não pode ser neglicenciada. Toca-me, antes de tudo, como cristão. Mas esse escritor não é um cristão.

Eu compartilho da visão dele por um momento a respeito dessa ou daquela questão, mas, no minuto seguinte, sou puxado de volta à percepção de que ele e eu estamos em pólos opostos, separados por um abismo, por uma contradição em nossas mais básicas pressuposições.

Mas (e cá está a tragédia) o único modo em que posso perseguir essa corrente vital de pensamento é por meio da leitura não-cristã, escrita por céticos, e da discussão delas dentro da estrutura de referência intelectual que esses céticos manufaturaram.

Em suma, não há diálogo cristão atual sobre esse tópico. Não há conversa cristã em que eu possa entrar, levando comigo esse tópico ou essa visão."

Harry Blamires, A mente cristã.

Você se acha assim também?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Angústia



"Nunca presto atenção às coisas, não sei para que diabo quero olhos. Trancado num quarto, sapecando as pestanas em cima de um livro, como sou vaidoso, como sou besta! Caminhei tanto e o que fiz foi mastigar papel impresso. Idiota. Podia estar ali a distrair-me com a fita. Depois finda a projeção, instruir-me vendo as caras. Sou uma besta. Quando a realidade me entra pelos olhos, o meu pequeno mundo desaba."

Graciliano Ramos, Angústia