quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A uma alma

Teatro da Terra dos Palhaços

O pior é ficar assim
com cara-de-chulé
e o coração com meia
furada bem no dedão

Quando a gente pensa
que vai melhorar
A gente esquece que
depois da Terra não há ar

E daí tudo fica largo no mundo
e mais longo no tempo
Mas se perguntar para quem canta de manhã
vai responder que está tudo bem

Não dá para esperar sitiada
numa cidade sentado
Há de se levantar de joelho
com sorriso de bem-me-quer

E pegar com a pá a paz e regar de naus a fé e plantar em cada canto em que se ouvir a esperança com vestes de pranto -
E no fim verá, alma, há uma história trançada de cores cinzas e azuis amarelos laranjas cujo movimento é o amor.


Seu Elias. Eulina-Centro. Centro-Eulina.
Era dia-dia naquele ônibus. Seu Elias era muito atento ao trânsito, tinha uma inocência que transparecia pelo retrovisor e muito experiente no que fazia.
Semáforo. Amarelo-Vermelho-Verde.
Era o tempo de cada parada, poucos minutos, em que Seu Elias pegava seus papéis guardados ao lado. Ia lendo alguns textos e algumas vezes grifafa com o marcador.
Seu Elias estudava para a prova de hoje à noite, da faculdade de Direito que cursava. Seu Elias, motorista e futuro advogado.

Oração em música por Roberto Diamanso

Poesia que Deus esqueceu de colocar na Bíblia.

Viver do Amor

É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio
Amar é iluminar a dor
como um missionário.

Chico Buarque



É, talvez eu seja simplesmente
como um sapato velho
Mas ainda sirvo se você quiser
Basta você me calçar que eu aqueço o frio
dos seus pés.



domingo, 27 de setembro de 2009


Viver a partir do centro não é um estado rarefeito, de quem se drogou. Viver dessa maneira ajudou-me a alcançar as conexões com a Palavra de Deus e ter as percepções que até então estavam escondidas. Por exemplo, Jesus mandou que nos considerássemos os menores de todos. Também disse que o que fazemos para o menor irmão fazemos para ele. Como tudo o que é feito pelo menor é feito para o Senhor, nossa compaixão deve começar com nós mesmos.

Antes de me pedir que eu mostre compaixão para com meus irmãos e irmãs no sofrimento deles, ele me pede que eu aceite a compaixão de Jesus em minha própria vida, que eu seja transformado por ela e que me torne cuidadoso e compassivo comigo mesmo em meus próprios fracassos e feridas, no meu próprio sofrimento e necessidade.

Seu amor não está condicionado pelo que somos ou fazemos. Ele será gracioso e compassivo conosco não importam nossos antecedentes, pois é isso que Jesus quer dizer: "Aquele que salva." Quem vive a partir do centro sabe até a medula que é pobre e pecaminoso, mas que tem um espírito de auto-aceitação sem preocupação consigo mesmo. Esse é o cerne do evangelho: podemos ser graciosos e compassivos com nós mesmos.

Brennan Manning

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quem tem medo do Anticristo?


Depois de ler esta matéria do post abaixo sobre o novo filme de Lars von Trier, diretor dinamarquês de filmes que gosto muito, como Dançando no Escuro, Dogville e Manderlay - fiquei bastante curioso como seria um filme produzido durante uma depressão. E ainda mais com um título de impacto deste, "Anticristo".
E aí, crente pode assistir? Eu já assisti e gostei muito. Mas vou com calma ao recomendar. O filme segue um ritmo angustiante que exige bastante coragem, força e estômago do espectador: há muitas cenas fortes e explícitas de mutilação e sexo. A história é contada da mesma maneira de Dogville e Manderlay, divide-se em quatro capítulos, incluindo o prólogo e o epílogo.

O Anticristo me levou à uma passagem do livro de Gênesis em que pela primeira vez o medo surge no mundo. Após Adão e Eva comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, eles se percebem nus e se cobrem. Sopra, então, uma brisa. Um vento do dia que trazia os passos do Senhor Deus, o Criador. Adão e Eva tem medo e se escondem. "Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi." Gn 3.10

Qual é seu maior medo? Pergunta o personagem do ator Willem Dafoe (Duende Verde do Homem-Aranha), que está acostumado a fazer papel de coadjuvante nos filmes e neste é o protagonista - a sua esposa, a atriz Charlotte Gainsbourg. Ela fica sem resposta.

Então, resolve perguntar - Aonde está o seu medo?

Sua resposta: no Éden.

Às vezes me questiono sobre o quanto o medo é disseminado nas igrejas evangélicas, e o quanto nós, jovens cristãos, vivemos a culpa como um combustível do nosso cristianismo. Ouvimos tanto sobre ser santos, separados e fugir do pecado. Mas aprendemos tão pouco sobre como lidar quando não resistimos e caímos, e ainda mais quando isto é recorrência.

Falta a nós aprendermos mais sobre o temor do que o medo. Mais do perdão do que a culpa. Lars Von Trier costuma falar muito de culpa em seus filmes, e no Anticristo é bem latente esta questão.

Para assistir: um clipe muito a ver com o clima do filme. Underoath - Too Bright To See Too Loud To Hear

quinta-feira, 3 de setembro de 2009


Fonte: Solomon

O cineasta Lars von Trier enfrentou uma depressão enquanto rodava “Anticristo”. Ele diz que muito do que há no filme tem a ver com os fantasmas que o assombraram durante a doença.

O que faz um artista em depressão? Desiste de criar ou serve-se da crise para conceber não aquilo que previa, mas uma outra obra, que incorpore essa nova visão de mundo?

O dinamarquês Lars von Trier propôs no passado uma depuração do cinema com o Dogma 95 — uma série de “regras” para livrar o cinema dos rebuscamentos de linguagem. Seu novo filme, o terror Anticristo, que estreia neste mês no Brasil, teve o roteiro escrito no meio da crise de depressão que o cineasta sofreu há dois anos. Exímio roteirista, ele é o primeiro a admitir que, desta vez, não escreveu um bom roteiro. Em vez de conexões lógicas ou reflexão dramática, as cenas se juntavam sem razão, muitas vindas de sonhos que teve na infância ou durante a depressão.

No filme, um casal em luto pela perda do filho se retira para o “Éden”, um chalé isolado na floresta, onde tenta curar suas feridas e reparar um casamento em dificuldade. Mas a natureza toma as rédeas, e as coisas só pioram. Anticristo está longe de ser um dos grandes filmes do diretor. As cenas vão do sublime (o prólogo em preto-e-branco) ao trash mais patético. Para o diretor, mais do que um filme, é uma vitória sobre sua própria crise.


Qual o sentido de Deus em seus filmes?
Nenhum. Deus não existe. Meus pais sempre foram ateus. Hoje, é como se eu pudesse devolver a Deus algumas coisas que aprendi sobre ele, e assim colocar minha vida em ordem.

Leia mais no Solomon.